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Luta de todos nós 14/07/2006 | 16:53
Nova cruzada contra a regulamentação exige unidade e mobilização da categoria
 
Diante dos ataques dos barões da mídia ao projeto de lei que regulamenta a profissão do jornalista, a FENAJ e os Sindicatos de Jornalistas de todo o país conclamam os profissionais a se manterem firmes na defesa de seus legítimos interesses e na denúncia das reais motivações do patronato ao tentar impedir a sanção presidencial à matéria aprovada pelo Congresso. Ao manipularem o conceito de "liberdade de expressão" para encaixá-lo, como sempre, aos seus objetivos, alguns veículos têm ouvido em suas "matérias" todos os setores contrários à regulamentação da nossa profissão, como a ANJ (Associação Nacional dos Jornais). Nenhuma linha tem sido dedicada ao outro lado, num belo exemplo de hipocrisia, anti-jornalismo e manipulação da informação.

Já no processo de linchamento público do Conselho Federal dos Jornalistas - que tiraria do Estado e passaria para a categoria a atribuição de emitir os registros profissionais - ficou nítido que pouco adianta desmentir os argumentos falaciosos aos quais a mídia se agarra quando seus interesses empresariais estão em jogo. Não há espaço para o contraditório e muitas vezes, a verdade é o que menos interessa aos patrões e seus "penas alugadas".

No entanto, em respeito aos jornalistas brasileiros e à sociedade, vamos aos esclarecimentos:

1 - Repórteres fotográficos, cinematográficos, ilustradores e diagramadores passam as ser enquadrados como profissionais de nível superior. Isso dá conta de antiga reivindicação do segmento destes profissionais, que no serviço público são contratados como nível técnico. Mas atenção: a lei não retroage! Todos os jornalistas de imagem que estão em atuação e possuem registro têm direito adquirido. Ou seja, seus registros são profissionais e definitivos.

2 - Comentários jornalísticos já estavam previstos como atividades de jornalista profissional na legislação em vigor (artigo 2º, inciso II do decreto 83.284/79). O novo projeto mantém a atividade entre as 23 funções específicas. Mas tanto o decreto em vigor desde 1979 quanto o novo projeto-de-lei prevêem a figura do colaborador, especialista. Não há mudança, só marola das empresas. Qualquer um pode escrever em jornal. Desde que o dono permita. Mas o jornalismo só deve ser exercido por jornalistas. Qualquer um pode falar sobre Justiça, mas o exercício da profissão do Direito é exclusivo dos advogados e nunca a mídia se levantou para argumentar que a regulamentação da advocacia ameaça as liberdades individuais, tão preciosas como a liberdade de expressão.

3 - A coordenação de arquivos jornalísticos já é função exclusiva de jornalista profissional (artigo 11, inciso VI). Já é lei. A desinformação e o desconhecimento só provam o desprezo pela qualidade da informação nas empresas de comunicação.

4 - O mesmo ocorre com a função de professor de jornalismo (artigo 2º, inciso VI). A lei atual já prevê que o ensino de técnicas e teorias jornalísticas é privativo de jornalista profissional. Também não há qualquer mudança. Alguma vez você já ouviu dizer que uma mentira repetida mil vezes acaba virando verdade? É o que estão tentando fazer nessa cruzada santa contra o diploma e a regulamentação da sua profissão. Fique atento e reaja.

5 - A inclusão da função de assessor de imprensa é, sim, uma importante mudança. Nesse caso, o projeto reconhece uma situação de fato: quase todo o mercado é ocupado por jornalistas, que profissionalizaram e moralizaram este segmento. Em nações democráticas, é comum os bons costumes se transformarem em leis. Sem a aprovação do novo projeto, os jornalistas continuarão sob a ameaça de perder seus postos de trabalho. Os jornalistas de assessoria de imprensa estão sendo multados pelo Conselho de Relações Públicas, que decidiu perseguir a categoria e tomar conta do mercado. Você já viu algum ataque dos nossos jornais contra o Conselho Federal dos Relações Públicas?

Desmascaradas as mentiras, vamos à verdade.

A verdade é que o projeto - discutido desde 1987 na categoria e que tramitou (esta versão) desde 2003 no Congresso - atualiza a regulamentação e consolida o conceito de que Jornalismo é atividade de nível superior e o acesso à profissão dever ser através de curso de Jornalismo. Os críticos do PLC 079/04 são contra a regulamentação profissional e contra o diploma.

Também são contra o que significa, para os jornalistas e para a sociedade, fazer do Jornalismo uma profissão. O que está em disputa, por trás de todos os ataques, é se o Jornalismo será mesmo uma profissão regulamentada pelo parlamento ou pelas nove famílias que controlam 90% da mídia brasileira. Não existe profissão sem regulamentação. Assim como seria um desastre para a sociedade brasileira ser servida por engenheiros, arquitetos e advogados sem formação qualificada e regulamentação, a desregulamentação da profissão do jornalista também representa uma ameaça ao jornalismo, à liberdade de
imprensa e à liberdade de expressão.

Mobilização
Jornalistas e seus apoiadores enviam "Carta ao Presidente"

Contra a manipulação, precisamos mostrar unidade e organização para enfrentar o poder dos donos da mídia e fazer valer a importante vitória que conquistamos na aprovação do PLC 079/04 pelo Congresso. Copie o texto abaixo, assine e envie para os quatro endereços sugeridos pela FENAJ - Casa Civil, Ministério do Trabalho, Secretaria Geral e Protocolo da Presidência. Os que não são jornalistas ou estudantes de jornalismo, mas apóiam a luta da categoria, porque é de toda sociedade, também podem enviar a mensagem, indicando na abertura "eu apoio essa luta dos jornalistas".

Os endereços:
casacivil@planalto.gov.br
ouvidoria@mte.gov.br
sg@planalto.gov.br
protocolo@planalto.gov.br

O texto sugerido:
Carta aberta ao Presidente Lula:

Nós, jornalistas brasileiros, solicitamos a imediata sanção do projeto de lei 079/2004, que atualiza as funções privativas dos jornalistas e acaba de ser aprovado no Congresso. Trata-se de uma antiga reivindicação da categoria no sentido de avançar em sua organização e atualizar sua regulamentação profissional. O projeto é resultado de um longo processo de discussão e luta da FENAJ, dos Sindicatos de Jornalistas de todo o país e dos profissionais que se organizam em torno deles. Passou por todas as instâncias de debates e deliberações destas entidades. Também foi democrática e publicamente discutido na Câmara e no Senado, recebendo alterações e emendas dos parlamentares. Por isso, solicitamos a sanção, respeitando a decisão do Congresso e o direito e o anseio de organização de toda uma categoria que tantos serviços tem prestado ao Brasil e seu povo.

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