08 de Setembro de 2010
Fale Conosco Expediente Mapa do Site
 
Assessorias
 
Grupo RBS 23/07/2010 | 02:42
A atuação midiática na busca da justiça
 
* Gabriel Ferreira dos Santos e Gisiane Machado da Silveira

Ainda que pouco divulgado pelo meio midiático, no dia 14 de maio de 2010, na cidade de Florianópolis, SC, ocorreu a prática de um crime de estupro tendo como supostos autores dois menores (com catorze anos cada) e como vítima uma também menor de treze anos. Detalhe: um dos suspeitos é filho do sócio majoritário do grupo RBS no estado de Santa Catarina e o outro, filho de um delegado de polícia com atuação naquela cidade.

A partir do ocorrido, apresenta-se pertinente a discussão acerca de algumas questões. A saber: por que até o presente momento não fora discutida a (des)necessidade de redução da maioridade penal, bandeira que costuma ser empunhada pelos canais de comunicação pertencente ao grupo RBS? A prática de um crime de estupro não é suficiente para trazer à baila importante temática em matéria de política criminal? Não seria a redução da maioridade penal capaz de conter a perversidade dessa natureza delituosa? Ao que parece, crack nem pensar, e redução, também nem pensar.

A manipulação da notícia
Para além desse questionamento, ainda se mostra latente outra dúvida: por que os "supostos" (agora, sim, [re]descobriu-se a presunção de inocência) menores infratores não estão internados provisoriamente em algum Centro de Atendimento Sócio Educativo? Para este caso concreto, a gravidade in abstrato da conduta delituosa não basta para fundamentar a dita internação? Onde estão as cruzadas conversas sobre o tema? Onde estão os editoriais aguerridos e as reportagens em série das páginas policiais dos jornais do grupo RBS? Crack e internação provisória... Nem pensar.

Ora, há muito tempo a mídia influencia significativamente o discurso punitivo estatal. A intensidade midiática dita a edição de novas leis criminalizadoras, o aumento de pena e a relativização de garantias constitucionais. E o ponto nevrálgico de tal atuação se pauta na covardia com que a manipulação da notícia ocorre. De como ela pode ser (re)transmitida até como ela pode ser suprimida. De quão tênue é a atuação midiática na busca da justiça e/ou da impunidade. A saber, um último questionamento: e se a vítima do estupro fosse a filha do "importante" sócio do grupo RBS?

* Advogado (OAB/RS nº 62.563) e Graduanda em Direito, respectivamente

Fonte: http://www.espacovital.com.br

Últimas notícias:
31/08/2010 - Senado faz novo esforço concentrado nesta semana e PEC do Diploma pode ir a voto
31/08/2010 - Jornalistas reafirmam defesa do diploma e decisão de não sindicalizar não diplomados
31/08/2010 - Ministério do Planejamento confirma: jornalistas têm direito à jornada especial
 
SCLRN 704 - Bl. F. Loja 20. CEP 70.730-536. Brasília - DF. Tels.: (61) 3244-0650/3244-0658. Fax: (61) 3242-6616. E-mail: fenaj@fenaj.org.br